Racismo estrutural: apoio a mulheres negras na medicina e além dela
Como ler, ouvir e consumir de mulheres negras é também uma forma de transformação
Falar sobre racismo estrutural é reconhecer que as desigualdades não acontecem por acaso — elas estão enraizadas nas estruturas sociais, econômicas e culturais que moldam nossas oportunidades. Na medicina, esse cenário se reflete tanto no acesso à carreira médica quanto no reconhecimento e nas condições de trabalho das mulheres negras.
Elas estão presentes nas salas de aula, nos plantões, nas pesquisas e nas consultas, mas ainda enfrentam barreiras invisíveis: o questionamento constante de sua competência, a menor representatividade em cargos de liderança e a ausência de referências que se pareçam com elas nos espaços de poder.
Promover a equidade racial na medicina passa também por ampliar vozes negras, dentro e fora do ambiente clínico. Uma das formas mais simples — e poderosas — de fazer isso é consumindo conhecimento, arte e produtos de mulheres negras. Quando escolhemos um livro, um curso, um conteúdo ou uma marca criada por elas, estamos contribuindo para que mais histórias sejam contadas e mais espaços sejam ocupados.
Entre as vozes que ecoam com força nessa conversa, duas mulheres se destacam por inspirar novas gerações a reconhecer e enfrentar o racismo estrutural no cotidiano. A filósofa e escritora Djamila Ribeiro, autora do Pequeno Manual Antirracista, propõe uma reflexão essencial sobre os privilégios e as desigualdades que moldam nossas relações — inclusive dentro da medicina. Já a médica Thelma Assis, conhecida por sua trajetória como anestesiologista e por sua representatividade na mídia, tem utilizado sua visibilidade para abrir caminhos e promover debates sobre equidade racial e de gênero na saúde.
Essas referências reforçam como a escuta e o consumo de conteúdos produzidos por mulheres negras não são apenas um ato de apoio, mas uma forma concreta de ampliar perspectivas e construir uma prática médica mais empática e diversa.
Apoiar mulheres negras é mais do que uma escolha ética: é uma ação concreta contra o racismo estrutural. É reconhecer que o cuidado começa antes do diagnóstico — começa na escuta, na representatividade e no engajamento de todos nós.
Como indivíduo e como instituição, podemos contribuir: valorizando profissionais negras, contratando consultoras e palestrantes, divulgando suas produções e questionando práticas excludentes.
O combate ao racismo não é apenas uma pauta social — é uma pauta de saúde coletiva. E toda vez que uma mulher negra é vista, ouvida e apoiada, a medicina se torna mais justa, mais empática e mais humana.
Publicado em 15 outubro de 2025